Antoniolli A Turma da Mônica volta ao cinema. O que isso significa?

Mauricio de Sousa Adoro cinema. E quando pude, na década de 80, realizei diversos filmes. Mas o tempo era outro, com dificuldades tecnológicas, inflação, falta de controle nas bilheterias...

Tive que dar uma parada.

Como hoje a situação é outra, posso voltar a fazer cinema, como gosto. Principalmente neste momento de crescimento do cinema, do número de espectadores, na valorização do cinema nacional.

Antoniolli E como foi sua relação com o cinema para que você viesse a adorar essa atividade?

Mauricio de Sousa Sempre fui um “cinemeiro” desde criança. Na década de 40, houve períodos em que eu ia ao cinema com meu pai quase toda noite. E passavam pelos meus olhos maravilhados, desde os emocionantes seriados até os clássicos do cinema norte-americano, produzidos antes do macarthismo, com suas belas mensagens sociais. Passando pelos musicais insuperáveis, pelos primeiros épicos, já em cinemascope, vários dos filmes que fizeram época, vindos da Europa e por tudo o que vinha do México com o Cantinflas. Era uma festa para os olhos e para minha cultura.

Assim, desde que comecei a fazer histórias em quadrinhos, sabia que um dia iria animar meus personagens para o cinema.

E foi assim que fiz os filmes nos anos 80, alguns curtas nos anos 90 e, agora, volto às telonas com o Cinegibi.

Antoniolli E como é voltar a fazer cinema?

Mauricio de Sousa Além de atender a uma necessidade particular, minha, artística, o cinema é vital, estratégico para nossa necessidade de expansão. Tanto no país como no exterior.

Sem os filmes, perderíamos muito da nossa capacidade de competir no mercado.

Com a vantagem de contarmos, hoje, com recursos tecnológicos que nos permitem uma ousadia criativa impensável há alguns anos.

Antoniolli A Turma da Mônica já contracenou com artistas em produções realizadas anteriormente. Como é esse tipo de participação e o que o leva a buscar essa interação com celebridades como Luciano Huck, Fernanda Lima, Wanessa Camargo e Pedro e Thiago.

Mauricio de Sousa É uma brincadeira gostosa, essa de misturar artistas ao vivo com os personagens desenhados. E, de certo modo, dá uma boa misturada na cabeça do espectador que vê, ali, seus ídolos de momentos diferentes interagindo num momento de fantasia incomum.

Antoniolli Sei do cuidado que toma com a trilha sonora. Como vê o resultado desse trabalho neste filme?

Mauricio de Sousa A trilha foi produzida pelo meu irmão Marcio Araujo nos estúdios de som da MSP, auxiliado por Danilo Adriano, Marcelo Sousa, João Boy e Edgardo Rapetti.

Gostei do resultado final, principalmente do momento em que a Turma da Mônica homenageia o cinema e seus clássicos com um clipe especial. Lindo aquele momento, com uma melodia e arranjo surpreendentes. Aliás, como acontece em todos os bons desenhos animados, o som, os efeitos especiais, a música, são uma das peças mais importantes para o sucesso do filme.

Antoniolli Qual a sua expectativa com a estréia de Cinegibi – O Filme, com a Turma da Mônica?

Mauricio de Sousa Depois de um bom tempo longe da produção de filmes, estou tão ansioso quanto nossos espectadores para rever a Turminha na telona. Será como que um reencontro com o escurinho do cinema e com a magia que esse momento nos traz. Principalmente agora, que temos arte e tecnologia para oferecermos aos amigos da Turma da Mônica.

Com tudo isso, espero que as bilheterias nos indiquem temperatura e caminhos novos.

Antoniolli Falou da importância das produções americanas e européias que o influenciaram quando criança. E quanto ao cinema nacional?

Mauricio de Sousa Abri os olhos para o cinema brasileiro com as chanchadas da Atlântida. Com seus bons momentos de música e comédia. Depois, senti o peso das boas produções no “Cangaceiro”, “O Pagador de Promessas”, “Rio 40 graus” o “Cidade de Deus” de então. Mas inesquecíveis e ainda não superados, estão na minha lembrança e na história do cinema brasileiro os filmes do Mazzaropi.

Enquanto que meu pai me levava para as produções americanas, minha avó me levava para ver Mazzaropi. E eu adorava.

Lembro-me, também, da produção dos estúdios Vera Cruz. Mas seus filmes me pareciam mais frios, mais distantes, embora bem realizados. Com exceção de um deles, que, mesmo pesado na sua dramaticidade, me comoveu talvez pelas melodias: “Tico-Tico no Fubá”.

E é importante ressaltar que toda essa influência cinematográfica tornou-me um “cinemeiro”, antes mesmo virar “quadrinheiro”.

Antoniolli E foi esse lado “cinemeiro” que fez com que criasse uma linda, tocante e bem-humorada homenagem na abertura de Cinegibi?

Mauricio de Sousa Isso mesmo. Não poderia voltar à telona sem demonstrar isso com um clipe superinspirado, musicado pelo Marcio Araujo. Ali, nós colocamos a Turma da Mônica vivendo momentos que marcaram para sempre a história do cinema. Como em Carlitos, Dançando na Chuva, Casablanca, Romeu e Julieta, Super-homem, Zorro, Guerra nas Estrelas, Tubarão, Senhor dos Anéis, Harry Potter e outros.

Espero que o público aprecie nosso trabalho. Foi feito com muito carinho e vontade de levar um momento saudável de diversão e entretenimento ao nosso público. O que eu considero bom para toda a família. E para a cultura brasileira, também.

A Turma da Mônica e seus convidados especiais no Cinegibi, o Filme aguardam a presença de todos nossos amigos. Afinal, vocês, que nos lêem, são nossos convidados mais do que especiais.



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