Crônica 125 - "Vida, paixão... e sorte."

Tudo, no mundo, tem seu começo, meio e fim.

Até nosso mundinho teve, um dia, seu momento de deixar de ser uma confusão de gases e material incandescente para dar uma resfriada e começar a ser um planeta. Que atravessa sua "juventude", hoje, mas que um dia pode dar um encontrão em algum cometa maluco ou esfriar e morrer junto com o sol.

Mas na vida vivida na superfície deste mundo, milhões de criaturas atravessam o ciclo da vida, do começo ao fim. Uns viram fósseis, outros viram extintos, e uns poucos deixam um rastro de inteligência e luzes para iluminar o caminho dos pósteros.

E na raça humana temos bons exemplos de mensageiros da luz, do espírito, da esperança.

Começando pelos anônimos descobridores do fogo, da fusão dos metais para o uso em utensílios, dos projetos das primeiras habitações não naturais culminando com a escrita, com a matemática, com as conquistas da arte em geral e com as bases da moderna ciência e tecnologia. Mas no meio desse exército de criadores, houve profetas, líderes e pensadores com nome e endereço. Que deram origem a ordens religiosas, nações e costumes.

Somos fruto de milhares de anos de buscas, descobertas e alguns tropeções.

Faz parte da vida e do destino.

Faz parte da paixão pelo desafio.

E tudo isso sem dúvida nos remete ao final natural: a morte.

Que é onde a coisa pega.

Participamos do início da vida, pensamos que podemos administrar mais ou menos bem a nossa passagem por ela mas... por que não podemos fugir ao destino final, a morte?

Ou pior ainda, por que não podemos entendê-la, conhecê-la, saber pra onde ela nos leva? Afinal, podemos não querer embarcar nessa "roubada".

Que nos ensinam como fatal, sem saída nem fuga.

E se há coisa que o bicho homem, como raça humana, não aceita, é o fatal, o sem saída, o sem fuga.

É a ânsia natural pela liberdade, pela busca, pelo saber... e pela perpetuação, pela continuação da vida.

Temos o direito à contestação.

Apenas ainda não sabemos como contestar.

A ciência anda aprontando arremedos de saídas com clonagens, pesquisas genéticas, passando por maravilhas químicas e terapêuticas que nos alongam a vida e a juventude.

Mas Dona Morte continua um mistério.

Depois da vida e da paixão pela vida.

Mas há uma maneira de driblar a grande Indesejada: é realizar algo em favor do próximo, espalhar sementes de bondade, gestos de carinho, lições de humanidade.

São as formas de sobrevivermos ao nosso tempo físico de estadia na terra, o modo de nos perpetuarmos e ainda ensinarmos aos filhos o dom da perpetuação.

Será como trocarmos o destino, a morte, pela oportunidade, pela sorte.

Será como plantar nossa presença na história humana.

Será como plantar uma sequóia. E conviver com a certeza de sua sombra, força e beleza futuras.


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