Crônica 204 - "A festa foi linda..."


 

Tudo aconteceu como foi planejado e sonhado. Com umas pitadinhas a mais de emoções e novidades. Pra melhor.

Marina, como eu esperava, estava linda, nos vestidos desenhados para a grande noite dos seus quinze anos.

Os salões estavam decorados com elegância e bom gosto. Os convidados - cerca de quatrocentos - compareceram a caráter, auxiliados pelo frio da noite que permitia mais elegância e casacos de peles.

Alguns cuidados preliminares com a escolha e dosagens de bebidas evitaram problemas de fígado ou sociais entre os mais jovens e afoitos. Os fotógrafos e a imprensa se integraram mais como convidados do que como profissionais entrões. A seleção musical que emoldurou a festa durante todo o tempo - com o dedo da Marina - estava totalmente adequada ao ambiente, aos convidados, ao tempo que vivemos. O serviço de buffet foi impecável com atendimento idem.

Marina, depois de receber à porta, junto com seus pais, deu uma sumida, trocou de vestido e logo após surgiu, resplandecente, no alto de uma escadaria ornamentada com flores e luzes. E ao contrário do que temia, não tropeçou na descida.

Mas afinal, para qualquer coisa eu estava ali, bem no alto da escada, para recebê-la rodeados por violinistas e conduzi-la ao centro do salão para a primeira valsa. E falando em valsa, para minha surpresa e satisfação, todos dançaram muito bem, inclusive meu filho Mauricio, que até os ensaios ainda teimava em dar uns passos muito duros, de um lado para outro.

Foi um deslumbramento.

Com a Marina apagando velinhas de um bolo triplo, ao lado dos irmãos mais novos. Do outro lado, os outros irmãos aplaudiam (podiam ter ficado ao lado da irmã nesse momento - única falha do cerimonial).


Ah! Houve choro, sim.

Não meu, que me contive, não sei como, principalmente na hora da leitura do texto que recebia a Marina no alto da escadaria.

Mas alguns convidados, homens e mulheres, não se contiveram.

E pelo menos duas das convidadas, mães de meninos, se queixavam de que não poderiam repetir uma festa assim porque não tinham filhas mulheres.

A noite se estendeu, sem que percebêssemos o tempo passar, com muito "techno" e algazarra gostosa dos jovens até quando o sol começou a iluminar os grandes janelões do buffet.

Era hora das despedidas compridas... com gosto de quero ficar mais um pouco.

E até que muitos ficaram mais um pouco.

Com pais que tinham sido mandados de volta (alguns vieram pelo meio da madrugada buscar seus filhos, que pediram algumas horas a mais) e retornavam, ao amanhecer, com cara de sono.

Saí de lá depois de despachar os últimos garotos e com sol no rosto, sem sentir cansaço, feliz com a noite linda, cheio de imagens e lembranças que nos acompanharão para sempre.

Marina merece. Todos seus amigos também. E nós, seus pais, estamos felizes por presenteá-la com estes momentos de alegria com os convidados e união com a família.

Valeu. Como tudo o que fazemos com os filhos e para os filhos.

 

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18.08.2000

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