| Crônica 260 -
"Chila, para os íntimos..."
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![]() A bolinha de pêlos amarronzados, de olhinhos de bola, bem escurinhos, chegou encantando. Era o bichinho ideal para ficar na casa de crianças que tivessem algum tipo de alergia a pêlos, bronquite, asma. Segundo nos informaram, não soltam pêlo, não têm cheiro, não fazem barulho, não latem nem miam como fazem outros amiguinhos domésticos. O meu filho Mauro, que adora animais mas tem crises de alergia a cada aproximação com bichinhos peludos, estaria protegido pela própria natureza da recém-chegada: uma simpática chinchila. O seu nome já veio junto, instantâneo: Chila. E como não havia cheiro, nem pêlo, nem ruído, a Chila foi honrada com um lugar na sala principal da casa, ao lado da tv das novelas e do futebol. Passou a habitar uma suítezinha de arames à vista da família toda. E começamos a entender melhor o bichinho, seus hábitos, sua natureza. Sabíamos (porque lemos no papelzinho que a acompanhava) dos cuidados principais que teríamos que ter com ela. Mas com o tempo aprendemos muito mais do que estava escrito ali. As chinchilas, conforme o papelzinho e leituras posteriores, é originária da cordilheira dos Andes, lá pelos lados do Chile, onde vive sob frio intenso, tem hábitos noturnos e serve, quando criada em cativeiro, para fornecer caríssimos casacos de peles. Uma crueldade, pensamos todos, principalmente depois que nos acostumamos com ela aqui na sala de televisão. Come um tipo de capinzinho compactado em cubos ou raminhas, sempre de pezinho, levando o alimento à boca em gestos rápidos, como roedor que é, segurando qualquer alimento com dois bracinhos curtos que terminam em dedinhos nervosos. Uma gracinha de ver. Mas o grande momento, esperado por todos, é seu "banho" de talco. Quando compramos o animalzinho, veio junto uma "banheirazinha" retangular, de metal, do tamanho certo para caber um animal adulto. E ali, basta que joguemos um pouco do talco que se compra para isso (carbonato de cálcio), a chinchila mergulha e se espoja, vira, revira, feliz, levantando uma nuvenzinha de pó branco. Acho que serve para ela se refrescar, já que não pode tirar o casaco de peles neste nosso clima tropical. Durante o dia, fica toda encolhidinha, dormindo, acendendo-se toda assim que a noite chega. Pedindo atenção e mais "graminhas". Mas também aprendemos no papelzinho da loja que teríamos que nos conter no quesito alimentação: as chinchilas, quando têm acesso a alimentos em quantidade, podem morrer de tanto comer. Acho que é um restinho dos seus hábitos lá nas montanhas geladas dos Andes, onde a alimentação deve ser escassa e quando encontrada, tem que ser "guardada" tanto quanto o animalzinho agüente. Há outro hábito, principalmente dessa primeira chinchila que chegou à casa, meio desconcertante: a alguma contrariedade ou temor, ela simplesmente se ergue de pé e atinge quem estiver mais perto com um jato de xixi certeiro. E já perdemos a conta de quantos moradores da casa ou visitantes ela já acertou. Mas seu alvo predileto é o Jimmy, cãozinho da raça schnauzer, das minhas filhas gêmeas Vanda e Valéria. A cada visita, ele leva um esguicho. Mas bem que merece, pois não perde a oportunidade de dar uma rosnada e deitar uns olhares esquisitos para a coitadinha da Chila. Outro costume, adquirido e consentido da nossa peluda chinchila é passear pela casa, ou parte dela, à noite, enquanto a turma vê televisão. Mauro e a mãe Alice cercam alguns cômodos e portas com quadros, obstáculos, e lá vai a Chila dando seus pulinhos pela sala de tv, subindo pelas poltronas, dando piruetas contra as portas e deixando seu rastro de cocôs-bolinhas, felizmente secos e sem cheiro, aqui e ali. ![]() Depois, essas bolinhas são recolhidas facilmente no meio de um pedaço de papel higiênico. Afinal, nem tudo são flores no trato dos animais domésticos. E então decidiu-se, lá em casa, que a Chila já estava em tempo de casar...
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