Crônica 279 - "O pensador de planos infalíveis"


Sabia que o Cebolinha, onde quer que esteja, fazendo o que quer que seja, sempre fica bolando planos infalíveis para derrotar a gorducha, baixinha, dentuça?

Ah, sim. Para os poucos que ainda não sabem, a gorducha é a Mônica, sua vizinha de bairro, virtual e real dona da rua e circunvizinhanças. Queriam o quê? Com a força que ela tem... mais aquele coelhinho que gira mais rápido do que as hélices de um helicóptero, em suas mãos. Está certo que o Cebolinha já usou quase todos os tipos de nós nas orelhinhas do coelhinho Sansão. E por isso, de vez em sempre leva uma coça. Mas ele explica que somente está treinando (!!!).

Desde que ele ganhou de um tio marinheiro um livro que ensina a fazer os mais diversos nós, ele não descansa. Quer experimentar todos os tipos de nós... e cismou que as orelhas lindas, grandes e macias do coelhinho da Mônica são melhores do que qualquer corda ou barbante para o treinamento.

Mas para chegar até o coelho, para tocar nas orelhas, para ter tempo de dar os nós... é que são elas.

A Mônica está sempre tão atenta.

Daí a necessidade de pensar em planos... muitos planos, de preferência infalíveis, para chegar ao coelho... e depois escapar do próprio, principalmente se vier nas mãos da Mônica.

E é por isso que o Cebolinha parou um pouco de novo para pensar.

Só que desta vez parou para pensar num lugar e num momento diferente, inusitado. Foi logo que saiu do riozinho que corre ali atrás das últimas casas, na beiradinha do bairro do Limoeiro.

Ainda peladinho, sentou-se numa pedra e deu de pensar, de matutar, de procurar, de novo, os caminhos para chegar a mais um plano. Desta vez, que fosse infalível.

E pensou... pensou... e pensou... e o tempo passava e o plano não se completava na sua cabecinha.

Nem raparou que passava por ali um homem com ar de artista que ficou espiando aquele menino imóvel, pensativo, sentadinho na pedra, durante algum tempo.

Em seguida, o homem se foi com um sorriso nos lábios.

Tinha tido a inspiração para mais uma escultura. Que era o que ele adorava fazer.

Chegou ao atelier e fez um primeiro estudo, baseado no que acabara de ver, perto do riozinho. E nasceu dali uma estátua gozadinha, de um menino peladinho, de cabelos espetados.

Daí o escultor olhou, pesou, pensou, e resolveu fazer uma nova escultura. Desta vez projetando a mesma posição, o mesmo jeitão pensativo, numa outra peça, agora com as proporções de um homem adulto. Terminou o trabalho, sorriu satisfeito com o resultado e resolveu chamá-lo de "O Pensador".

Em seguida, com o martelinho e o cinzel, gravou, na obra, sua assinatura: Auguste Rodin.

Ah! O Cebolinha?

Se já não virou estátua, a esta hora deve estar levando outras coelhadas da Mônica. Coitadinho.

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Em tempo - uma reprodução do Cebolinha pensando nos planos infalíveis está exposta no Conjunto Cultural da Caixa, em Brasília, de 1º de agosto a 12 de outubro de 2003.

Aproveitem, passem por lá e vejam, também, mais de quarenta quadros com releituras das mais importantes pinturas do Brasil e do mundo, com a Turma da Mônica (e outras turmas).


28.09.2001




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