| Crônica 290
- "Mauricio é da nossa turma."
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| Prezado Mauricio,
Quando eu nasci, em 1959, os estúdios Disney estavam lançando
“A Bela Adormecida” com a avançada tecnologia do
Cinemascope e inovando em efeitos especiais com a cena do príncipe
e da protagonista dançando nas nuvens. Disney viria a encantar
muitos da minha geração. Menos eu. Não sei porque
cargas d´água, mesmo achando aquela patolândia toda
muito simpática, nunca fui um leitor das revistinhas. Naquele
1959, nascia também no Brasil um cachorro azul. E aí a
conversa muda de figurinha. Criança recém-alfabetizada, enveredei na preferência
dos super-heróis da saudosa Ebal e ainda aceitava uma passada
d´olhos nas páginas do Gato Félix, Sobrinhos do
Capitão e a turma do Bolinha. Até que no mágico
e emblemático ano de 1970, quando buscava nas bancas da avenida
Rio Branco os almanaques Superman, Batman e Os Justiceiros daquele ano,
dei de cara com uma revistinha com uma menina dentuça na capa
erguendo um carrinho com um garoto de cabelo espetado dentro. Ali começavam os efeitos da magia de Mauricio de Sousa sobre
mim e sobre todos os brasileiros entre 7 e 70 anos. O encanto depois
se espalhou pelo Mundo e até hoje os personagens do paulista
de Santa Isabel conquistam a simpatia de crianças e adultos em
todos os continentes. Um ano depois, em 71, quando muitos dos meus amigos
foram aprender a ler o Pato Donald, orientados pelo ensaio de Arief
Dorfman (Para Ler O Pato Donald), optei pela brasilidade dos amigos
da Mônica. Hoje é o aniversário de 70 anos do Mauricio de Sousa,
por sinal a mesma idade que acabou de fazer o personagem de Disney e
sobrinho do Tio Patinhas. Haverá uma festa enorme, amanhã,
no Buffet Torres do Ibirapuera, em homenagem a esse arauto da alegria
e das emoções infantis. Haverá festa para Maurício
na Itália – iniciativa do próprio governo do país,
haverá homenagem no Japão. O filho de humildes poetas
conseguiu encantar o planeta com a sua poética dos quadrinhos.
Walt Disney que me desculpe pela correta opção que fiz
na infância. Sou, com orgulho besta, contemporâneo do primeiro personagem
do Mauricio, o cãozinho Bidu que é mascote do Franjinha.
Já tive um amigo que só pensava em ser astronauta, por
causa do Astronauta. Tive amigas comilonas, todas apelidadas de Magali.
Meu irmão mais velho deu uma de Rolo e ganhou a estrada e o underground
nos anos 70. Tenho lembrado muito do Cascão ao olhar a sujeira
de Brasília (a dele é inofensiva). E vivo até hoje
elaborando planos “falíveis” para seqüestrar
coelhos Sansões das mulheres metidas à Mônica. Quem disser que nunca foi invadido pela magia do Mauricio de Sousa
que vá contar carneirinhos honestos no pesadelo do PT. No convite
que enviou para os amigos, o criador da mais importante obra de HQ do
Brasil diz que nesses 70 anos “fiz amizades, criei personagens
e espalhei carinhos”. Fez tudo isso, caro Mauricio, e também
ajudou a costurar no imaginário infanto-juvenil um conceito lúdico
de Nação, pois incutiu em nós o orgulho nacional
por levar alegria e sonho às crianças do Mundo. Parabéns, Mauricio, você é nosso! (AM)
Alex Medeiros
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