|
As crianças brincam de escolinha.
Pegam papel, lápis, uma menina se finge de professora. Outros,
sentadinhos no chão, são os aluninhos.
Quando dá, há uma lousa de brinquedo pendurada numa parede,
num muro.
O giz, se não houver um de verdade, é substituido por
outra coisa qualquer que deixe marcas no quadro. Um caquinho de telha,
por exemplo.
As letrinhas toscas - às vezes imaginárias - vão
se formando na lousa.
Há chamada oral. Afinal, as crianças já ouviram
seus irmãos mais velhos ou seus pais falarem disso.
Há provas, exames, no meio do alarido característico,
alegre, que brota dessas reuniões.
Daí, alguém se lembra que já é hora do recreio,
de experimentarem o lanche que trouxeram da cozinha mais próxima.
E o bate-papo de repente se desliga do tema "escola" e invade
as lembranças recém-vividas e as sensações
recém-descobertas.
Às vezes se esquecem de voltar para a "aula". No papo
do recreio descobriram outros interesses e vão atrás deles.
Uma época de abertura, de aprendizado, de brincar de imitar irmãos,
pais, adultos, nas atividades que elas, crianças, acham mais
interessantes.
Eu brinquei assim pouco antes de "enfrentar" a escola real.
De horários e obrigações. De descobertas e "maravilhamentos".
Sonhava com estar na escola...
Quando finalmente chega a hora, há o primeiro dia. Angustiante.
Eu e o mundo morremos de medo do primeiro dia de aula.
Não é à toa que vamos agarrados à mão
da mãe.
E custamos a criar coragem para largá-la.
Uns choram e obrigam as mães a ficarem mais um pouquinho, pelas
imediações, para se sentirem seguros.
Outros se realizam mais rápido e se integram. Em pouco tempo
descobrem a nova "fábrica de amigos" que é a
escola. O palco mágico lá na frente da sala, onde os professores
se sucedem na apresentação das cenas mais incríveis
das mais diversas matérias.
E se iniciam na grande aventura do conhecimento formal, do saber monitorado,
mas do exercício livre da inteligência.
Ao final, sairão diferentes, espiando o mundo mais do alto, entendendo
melhor casos e coisas, preparados para tomarem nas mãos o controle
de suas ações, de seu futuro.
Quer coisa melhor?
Você participar de forma ativa na formatação de
sua vida?
Mas isso somente será conseguido com estudo. Com preparo. Com
a trindade que tenha a família na sua base, a escola no envolvimento
e a inteligência na direção.
E é isso que esperamos quando estudamos, que desejamos para nossos
filhos, que sonhamos para todas as crianças do mundo.
Utopia? Impossibilidade?
Em termos. Se cada um de nós, estudantes ou educadores, pais
ou professores, fizermos nossa parte e pudermos estender nossas vontades,
nosso auxílio, para um número de crianças que possamos
atender, estaremos semeando esperança, possibilidades e realizações.
Não fizeram isso conosco?
Mauricio de Sousa
17 de março de 2006
|