Crônica 99 - "Pai... como Ele"

Quando me vi pai, chorei. Num misto de espanto, dúvidas, alívio e felicidade.

Um aluvião de sentimentos novos, nunca sentidos nem pressentidos.

E nunca mais fui o mesmo.

Subi para outro patamar, com olhos de vigilante e mãos de proteger.

E a cada filho eu aprendia mais de humanidade.

Passava a entender querências e fastios.

Choros e manhas.

E crescia como companheiro mais do que pai.

E dividia com o outro lado as alegrias e preocupações.

Pai e mãe, côncavos de amor, envolvendo crias.

Passando olhares e doçura, carinhos e ternura.

Em cada filho, a renovação de emoções, a revivência de descobertas.

Em cada célula duplicada, a imortalidade, a rosca sem-fim.

A certeza de que vivemos enquanto pais.

Mas deixaremos de existir sem a descendência. Sem a troca de amor.

No rosto sorridente dos filhos, na alegria das suas surpresas e na felicidade que pulsa em suas vidas, fui buscar minha continuação, minha verdade, meu objetivo maior. E me rejubilo. E me aproximo de Deus.

Como pai. Como Ele.


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